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sexta-feira, setembro 28, 2007

 

A "Economia da Cultura" e a falta de um "Raciocínio Gestorial"



Do jornal Público de hoje, transcrevo esta informação (os destaques são meus):


Cultura é dinheiro, ou como a UE quer mais dinheiro para a cultura
28.09.2007, Kathleen Gomes
A Comissão Europeia não tem pudor em admitir que quer vender a cultura a investidores privados
Bruxelas teve o seu momento "é a cultura, estúpido!" em Novembro de 2006: um estudo encomendado pela Comissão Europeia revelou algo que fica sempre bem nas manchetes dos jornais - a cultura contribui mais para a economia europeia do que outros sectores mais óbvios, como o imobiliário ou a indústria alimentar. "Foi um choque", dizia ontem, em Lisboa, a directora-geral da Comissão Europeia para a Educação e Cultura, Odile Quintin, porque para decisores políticos e para o mundo do negócio e da finança em geral a cultura é vista como um custo, não um investimento. Sem esse choque - especificando: a cultura representa 2,6 por cento do PIB europeu, o número de que toda a gente fala - a União Europeia não estaria onde está agora: a discutir uma agenda cultural a 27.Termina hoje no Centro Cultural de Belém, com uma reunião informal dos ministros da Cultura europeus, o Fórum Cultural para a Europa, uma consulta pública sob a forma de workshops destinada a recolher sugestões da sociedade civil (!!!). Nos últimos dois dias era mais difícil encontrar artistas no encontro - "Muitos ainda acham que não devem ter um raciocínio gestorial e político. Fazem mal", comentava ao PÚBLICO o assessor da direcção do Teatro Nacional São João, José Luís Ferreira - do que economistas e gestores, o que diz muito. "Não devemos ter medo de dizer que o sector cultural contribui para a economia. Isso pode levar o mundo económico e financeiro a ter um outro olhar sobre a cultura", resumiu Odile Quintin num seminário paralelo para jornalistas que decorreu ontem. Dito de outro modo: é preciso dizer que cultura é dinheiro para atrair dinheiro para a cultura. Podemos ficar impressionados com os milhares de milhões de euros que Bruxelas canaliza para projectos e actividades culturais mas são "peanuts", dizia ontem outro responsável da direcção-geral de Educação e Cultura da Comissão, quando comparado com tudo o resto em que a UE gasta dinheiro. É pouco provável que o cenário mude, a menos que se atraiam investidores privados, admitiu, pragmática, Odile Quintin.CultureconomicsSubitamente, a expressão "economia da cultura" está na ponta da língua de toda a gente como se nunca tivessem falado de outra coisa. E não tem sequer um ano, cortesia do estudo sobre o impacto económico da cultura feito para a Comissão. "Se houve um clique, foi a publicação desse estudo", afirma o assessor da direcção do São João. "Todos dizem que a cultura é importante mas depois ninguém consegue dizer porquê." Com as estatísticas avançadas nesse estudo, ela deixou de ser "evanescente" para se tornar "palpável". José Luís Ferreira aplaude - o São João vai organizar um colóquio sobre economia e política culturais em Dezembro - mas quer garantias de que "a criação artística não seja varrida das decisões". Nem toda a cultura vende: os orçamentos nacionais e comunitário devem zelar pelos "territórios de criação" que "não geram valor em termos comerciais", defende.Dificilmente se poderá dizer que a cultura portuguesa esteve bem representada no CCB. A elaborar uma lista não necessariamente exaustiva do que essa representação podia ou devia ser, seriam mais as faltas do que as presenças. Entre as pistas para essa ausência, Nuno Ricou Salgado, ex-produtor do Chapitô e um dos mentores do Pisa-Papéis, catálogo anual de artes e espectáculos destinado a programadores culturais, avança esta: "Existe um preconceito de muitos agentes culturais em falar de mercado." Não da parte dele, e o Pisa-Papéis está aí para provar: é, diz, "uma plataforma entre a oferta e a procura". Sabem de quem é o texto introdutório da última edição deste roteiro? Do ex-ministro da Economia Augusto Mateus. Título: "Cultura, Economia Criativa, Competitividade e Coesão". Não é coincidência.

Comments:
É pena quando o único valor que alguns conseguem ver na cultura é o contábil.
É, realmente, uma pena que alguns não consigam ver acima da bottom line.
 
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